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Lula: Chantagem tarifária afunda ordem internacional de forma irresponsável

Lula propôs que o Brics lidere a "refundação" do sistema multilateral na próxima Conferência da OMC.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira (08), que os países do Brics estão sendo vítimas de práticas comerciais “ilegais” e que a “chantagem tarifária” está sendo “normalizada” no cenário interacional. A afirmação é uma clara crítica ao tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como solução, Lula propôs que o Brics lidere a “refundação” do sistema multilateral, na próxima Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para o ano que vem.

O discurso do presidente brasileiro foi feito durante reunião virtual do Brics, realizada hoje e convocada pelo Brasil de maneira extraordinária. A ideia de chamar a reunião se deu após o governo petista chegar à conclusão que um novo encontro era necessário por conta dos “ataques” promovidos contra o multilateralismo.

“Passados apenas dois meses [da cúpula do Brics no RJ], vivemos um momento de crescente instabilidade. Está cada vez mais claro que a crise de governança não é uma questão conjuntural. Os pilares da ordem internacional criada em 1945 estão sendo solapados de forma acelerada e irresponsável. A Organização Mundial do Comércio está paralisada há anos. Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais. A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, defendeu Lula.

Em seguida, o presidente citou o uso de sanções estrangeiras contra políticas “internas” dos países, numa menção indireta à decisão de Trump de aplicar medidas contra o Judiciário brasileiro.


Neste sentido, o presidente defendeu que “cabe ao Brics” promover uma cooperação para superar esses obstáculos. “Temos legitimidade necessária para liderar a refundação do sistema multilateral de comércio em bases modernas, flexíveis. Para isso, precisamos chegar unidos na 14ª Conferência Ministerial da OMC no próximo ano”, completou.

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