Diebold Nixdorf: brasileiro tem cultura do dinheiro vivo e caixas eletrônicos sobrevivem à era do Pix
VP da companhia, Elias Rogério da Silva, diz que se bancos fecham agências, as cooperativas de crédito ampliam operação. Em novos negócios, empresa avança para a manutenção das torres de abastecimento de recarga elétrica.

Os cinco anos do Pix não afetaram diretamente as operações no Brasil da Diebold Nixdorf, segundo apontou Elias Rogério da Silva, vice-presidente da companhia para América Latina, em coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira, 26/11, em São Paulo.
“O caixa eletrônico no Brasil faz transações como com atendente; isso é diferente de outros países. Pix acaba impactando mais a indústria de cartão porque o saque permanece”, explicou.
De acordo com o VP, o Brasil é uma sociedade com a cultura do dinheiro em papel, principalmente, fora dos grandes centros. “Existe ainda uma economia informal gigantesca no Brasil. São 5 bilhões de notas em circulação. Dinheiro é questão cultural e o Brasil é uma cash Society”, observa.
O País é a segunda maior operação da Diebold Nixdorf, atrás dos Estados Unidos, em volume de negócios. “O Brasil cresce acima da inflação e ganhamos market share. Ao tempo em que observamos grandes bancos se consolidando e fechando agências, as cooperativas de crédito estão ocupando esse espaço”, assinalou.
Elias da Silva apontou que as vendas dos caixas eletrônicos DN Series no mundo foram bastante impulsionadas pelos negócios no Brasil, onde a companhia possui 72% do market share de ATMs recicladores e 60% de participação entre todos os caixas eletrônicos usados.
Futuro e novos projetos
Ao falar sobre o futuro, o VP disse que a visão da companhia está calcada na ideia de “long tail of cash”, ou seja, o dinheiro vivo vai diminuindo ao mesmo tempo em que convive com tecnologias. “A Diebold tem 166 anos de vida. Nos reinventamos bastante, já que a longevidade está respaldada em investimentos em inovação, fusões e aquisições e em gente”, detalhou.
Hoje, mundialmente, dois terços do faturamento da Diebold Nixdorf provêm das soluções de automação bancária e um terço, da comercial. Entre as novidades, duas soluções – criadas e produzidas no Brasil – se destacam. O Scan&Gol combina terminal de self-checkout, sistema móvel de escaneamento de produtos e balança de pesagem de carrinho integrados, reduzindo filas e oferecendo autoatendimento ágil e intuitivo.
Já o DN Series Express Check&Go, pode ser usado como self-checkout, dispositivo de informação ou checkout assistido, possui métodos de pagamento totalmente digitais e tecnologias de ponta. Escalável e personalizável para diferentes formatos de loja, pode ser configurado com cestas RFID para o escaneamento de todos os produtos de forma automática.
“Essas duas soluções, desenvolvidas no Brasil e fabricadas em nossa planta em Manaus, comprovam nosso compromisso com inovações totalmente direcionadas ao mercado brasileiro, cujo ambiente de negócios é bastante distinto de outros países. Queremos levar tecnologias que possibilitem mais agilidade e produtividade aos varejistas, enquanto seus clientes têm uma jornada de compras fluida e sem atrito”, completou o executivo.
A expansão também mira outros segmentos. O VP contou que, no Brasil, recentemente a companhia fechou contrato para fazer a manutenção das torres de abastecimento de recarga elétrica.





