Lua de mel com gastos acabou e é hora de limpar a bagunça da Inteligência Artificial
Sem resultados concretos, as iniciativas de IA serão engavetadas, projetam especialistas do SAS. Para eles, é hora de provedores e usuários assumirem a responsabilidade com a tecnologia.


Apesar dos avanços e sucessos notáveis da inteligência artificial, pairam preocupações sobre uma possível bolha de IA, emergências energéticas e projetos-piloto de IA generativas fracassados. Para especialistas do SAS, 2026 será um ano decisivo, em que os principais líderes do setor de IA serão cobrados para demonstrar retorno sobre investimento (ROI) e enfrentar dilemas éticos e econômicos de frente.
De acordo com os especialistas, chegou a hora dos provedores de IA e usuários organizacionais assumirem a responsabilidade. Adotar os fundamentos da gestão de dados e de uma IA confiável é o único caminho para que essa tecnologia amadureça e alcance seu potencial máximo, beneficiando pessoas, capacitando organizações e acelerando inovação. Os especialistas fazem suas previsões para 2026:
Queda dos data centers
Para Jared Peterson, vice-presidente sênior Platform Engineering, grandes investimentos em expansão de data centers se mostrarão impraticáveis quando os custos começarem a impactar os resultados; as expectativas eram altas, mas as receitas não foram suficientes para cobrir os custos. As empresas de tecnologia buscarão alternativas e os especialistas em economia dirão “eu avisei”.
A reviravolta nos gastos com a IA está chegando
Por sua vez, o gerente sênior de produtos, IA e IA generativa, Manisha Khanna, projeta que depois de bilhões desperdiçados em soluções superficiais baseadas no ChatGPT e em promessas que nunca se concretizaram, os CFOs estão exigindo retorno real sobre o investimento– e a maioria dos projetos de IA generativa não consegue entregar. A lua de mel em que “inovação em IA” justificava qualquer orçamento acabou, dando lugar a perguntas duras sobre custo por consulta, taxas de acurácia e resultados de negócios mensuráveis. Empresas que não conseguirem mostrar economias concretos, crescimento de receita ou ganhos de produtividade em seis a doze meses verão suas iniciativas de IA engavetadas ou seus fornecedores substituídos.
CIO agora é Chief Integration Officer
Em 2026, os CIOs atenderão ao chamado para orquestrar o futuro da IA agêntica. À medida que os agentes de IA se proliferam, o papel do CIO passará por uma mudança decisiva de facilitador de tecnologias para integrador de ecossistemas, se tornando o Chief Integration Officer. Governança de IA, integração e liderança multifuncional passarão a fazer parte do dia a dia de todo CIO, enquanto definem o futuro da arquitetura de TI em um mundo liderado por agentes.
Conheça sua nova colega: a IA agêntica
Ao celebrar meio século de inovação, resiliência e crescimento, 2026 marca o início de uma nova era, em que as empresas evoluirão para ecossistemas onde os agentes de IA deixam de ser apenas ferramentas e passam a ser colegas de equipe. Espera-se que as organizações operem com equipes mistas, formadas por humanos e agentes de IA, nas quais os agentes atuam como colaboradores de confiança, executando tarefas, compartilhando contexto e aprendendo continuamente ao lado das pessoas.
IA agêntica será responsável por lucro… e prejuízo
Até o final de 2026, as empresas Fortune 500 reportarão que sistemas de agentes autônomos resolvem mais de um quarto das interações com clientes com múltiplas etapas, pontua o Head of AI & Data Science, Northern Europe, Iain Brown. Esses agentes não vão apenas aconselhar, eles executarão tarefas com impacto mensurável na receita. Isso levará a criação de novos cargos, como Agent SRE (Engenheiro de Confiabilidade de Agentes) e até mesmo Chief Agent Officer. Por outro lado, o primeiro grande “apagão de agentes” será manchete à medida que as organizações descobrirem que, quando sistemas autônomos geram receita, o tempo fora do ar tem um preço.
IA para empoderar, não para substituir
Você quer jogar para ganhar ou para não perder? Em 2026, os líderes irão enfrentar uma importante escolha: usar IA para eliminar empregos ou usar IA para empoderar pessoas e criar uma vantagem competitiva. Está cada vez mais claro que a IA deve empoderar as pessoas – não as substituir – e as empresas precisarão de líderes ousados e inspiradores para investir em seus times durante as mudanças contínuas, adianta Bryan Harris, CTO do SAS
Hora de limpar a bagunça da IA
Lembra quando a falha log4J abalou a comunidade open source? Em 2026, empresas maduras e pioneiras na adoção da IA que ignoraram a necessidade de mensurar e incorporar a tecnologia de forma responsável serão expostas. O resultado será uma enorme perda de credibilidade, à medida que o uso de soluções genéricas e pouco confiáveis vierem à tona, observa Luis Flynn, estrategista de Mercado para IA aplicada, Software Open Source & ModelOps
Confiança e inovação andam juntas
Em 2026, o debate sobre IA não será mais sobre inovação versus confiança. Como as regulamentações governamentais sobre IA continuam inconsistentes, a autogovernança corporativa irá se expandir para incluir os limites necessários que viabilizem o uso responsável da IA nas empresas. As organizações que irão prosperar não serão aquelas que implementarem IA primeiro, mas sim as que reconhecerem que governança não é um obstáculo à inovação, mas sim uma parceira indispensável, pontua Reggie Townsend, vice-presidente, Data Ethics Practice.
Arquiteturas de IA soberana e híbrida em ascensão
Empresas globais exigirão controle sobre seus dados, modelos e infraestrutura. Estruturas de “traga seu próprio modelo” e “IA soberana” – em que as organizações executam modelos fundamentais dentro de seus próprios limites de governança e compliance – irão se tornar um padrão nos setores regulados. Em outras palavras, a nuvem permanece, mas o controle muda de mãos. – Marinela Profi, Líder Global de Estratégia em IA agêntica
Capacidade energética definirá os colaboradores em IA
Os data centers dos EUA precisarão de mais 29 gigawatts de energia até 2027 para continuar operando. Trabalhando com 90% da capacidade, um data center de cinco gigawatts consumiria tanta energia quanto 3,65 milhões de casas em um ano. À medida que outras potências globais investem em gigawatts de energia solar por dia, sem aumentar a capacidade energética o mais rápido possível os EUA perderão sua capacidade de colaborar e avançar em dados e IA no cenário internacional em 2026. – Franklin Manchester, Consultor Global de Seguros
IA agêntica amadurece
Até 2026, a IA agêntica – sistemas capazes de agir, decidir e se adaptar de forma autônoma – deixará os projetos piloto para se tornar parte essencial das operações e do atendimento aos clientes nas organizações. Quem investir em infraestrutura, governança e nas habilidades certas irá obter decisões mais inteligentes e experiências integradas. Quem não investir, ficará para trás, tanto em desempenho quanto na capacidade de atender às expectativas dos clientes. – Jennifer Chase, CMO
Contando com o quântico
Em 2026, o mercado quântico deve aquecer consideravelmente, à medida que aumentam as expectativas de que a tecnologia alcance valor inicial até 2030. A maioria dos investidores irá ampliar o foco, deixando de olhar apenas para hardware e criptografia pós-quântica e dando uma ênfase maior em software e aplicações. Enquanto isso, o termo “arquitetura quântica” ganhará destaque. Ela abrange todo o stack de um sistema quântico, incluindo as camadas de software e aplicações que geram valor quântico no mundo real. Espera-se ainda, um aumento nas contratações de especialistas internos para impulsionar essa nova fase. Amy Stout, Head of Quantum Product Strategy
Dados sintéticos se tornam o novo campo de batalha pela supremacia em IA
Dados sintéticos não são um paliativo, mas sim uma arma estratégica contra a escassez de dados, limitações de privacidade e gargalos de compliance. Em 2026, haverá uma verdadeira corrida armamentista de dados, em que as empresas competirão não apenas pela variedade e qualidade dos dados reais multimodais, mas também pela capacidade de cria-los de forma convincente. As vencedoras serão aquelas que dominarem o realismo sintético e conseguirem migrar, em grande escala, da fase experimental para a essencial, transformando essa competência em vantagem competitiva real. – Alyssa Farrell, diretora sênior, Platform and Horizontal Solutions
A nova força de trabalho do RH: humanos + agentes
Em 2026, os líderes de RH irão gerenciar mais do que pessoas – eles também gerenciarão agentes de IA. À medida que a IA agêntica se torna parte dos fluxos de trabalho diários, o RH precisará definir novas políticas para integração, desempenho e colaboração entre humanos e colegas digitais. O futuro da gestão de pessoas será híbrido e formado por humanos e máquinas.
O acerto de contas da IA: inovação sem controle encontra responsabilidade
O ano de 2026 marcará o início do acerto de contas da IA – quando o hype encontra a governança e só a inovação responsável sobreviverá. A busca por ROI consistente e supervisão transparente vai encerrar projetos de vaidade e recompensar os disciplinados, redirecionando investimentos para o realmente importa: orquestração de dados, modelagem sólida e governança explicável. As tecnologias supervalorizadas perderão espaço, sendo substituídas por IAs responsáveis, construídas para gerar impacto mensurável e com rigor operacional. À medida que o hype da IA der lugar à responsabilidade, restarão apenas duas perguntas: até onde esse ajuste irá e quando começará a nova era? – Stu Bradley, vice-presidente sênior, Fraud & Security Intelligence





