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Mercado de conexões satélite-celular vai crescer 80% ao ano até 2030

Relatório da Omdia prevê mercado de R$ 63 bilhões e 411 milhões de usuários em cinco anos.

A conectividade via satélite diretamente para smartphones está prestes a deixar de ser uma tecnologia de nicho para se tornar um componente central dos planos de telefonia móvel em todo o mundo. É o que indica a mais recente previsão da Omdia para o mercado de serviços de satélite direto ao dispositivo, conhecidos pela sigla D2D. Segundo o relatório, esses serviços devem alcançar 411 milhões de usuários ativos mensais e gerar US$ 11,99 bilhões (R$ 63 bilhões) em receita até 2030, com taxas médias anuais de crescimento de 80,1% em usuários e 49,4% em receita no período entre 2026 e 2030.

O modelo que deve dominar esse mercado é o baseado em padrões celulares convencionais, em especial os que utilizam tecnologias 4G e 5G para conectar dispositivos diretamente a satélites. A Omdia estima que esse segmento representará mais de 95% do total de usuários ativos mensais globais até o final da década. A vantagem em relação às soluções de modo duplo, que exigem um módulo proprietário de comunicação satelital integrado ao aparelho, é significativa: soluções como o Starlink Direct to Cell e o AST SpaceMobile conseguem se conectar a dispositivos já compatíveis com os padrões 4G e 5G, incluindo smartphones existentes, sem necessidade de hardware adicional.

“Essa abordagem pode acelerar a adoção dos serviços de satélite D2D e viabilizar comunicações de emergência baseadas em satélite para usuários em massa durante desastres”, destacou Guang Yang, analista sênior de estratégias para provedores de serviços e infraestrutura móvel da Omdia.

Para além das emergências, a tecnologia deve transformar a lógica dos planos de telefonia. Dario Talmesio, diretor de pesquisa em estratégia e regulação para provedores de serviços da Omdia, afirma que os serviços D2D devem se consolidar como um recurso adicional aos planos móveis convencionais, funcionando como uma espécie de seguro de conectividade para quando o usuário estiver fora do alcance das redes terrestres. “A expansão das constelações e da cobertura satelital permitirá que mais provedores de comunicação ofereçam conectividade ubíqua aproveitando as capacidades do D2D”, explicou.

No horizonte de médio e longo prazo, o impacto pode ir além do usuário final e atingir a própria arquitetura das redes de telecomunicações. Talmesio aponta que a banda larga móvel via satélite oferecerá às operadoras nova flexibilidade para repensar a topologia de sua infraestrutura em áreas de baixa densidade populacional e zonas rurais, além de fornecer a reguladores e formuladores de políticas ferramentas adicionais para ampliar o escopo das obrigações de serviço universal.


O próximo salto tecnológico do setor virá com o 6G. Previsto para ter seus primeiros padrões publicados em 2029, o 6G será o primeiro sistema de comunicações móveis a integrar nativamente as chamadas tecnologias de rede não terrestre. Com isso, a convergência entre redes terrestres e satelitais deve se aprofundar ao longo dos anos 2030, impulsionando ainda mais a adoção dos serviços D2D e consolidando o satélite como camada estrutural da conectividade global.

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